quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE ANO NOVO A TODOS!



Querido amigos do Furacão!


Eu ando afastada por motivo de doença. E embora entre algumas vezes na internet, não tenho conseguido força pra me dedicar ao blog.

Jamais ficaria longe de vocês, alheia aos comentários e às postagens maravilhosas que sempre fazem.

Eu venho aqui postar algumas coisas de vez em quando, respondo alguns comentários, e saio. É o que tenho conseguido fazer.

Agora, por exemplo, estava deitada e não conseguia dormir. Então resolvi vir aqui e postar as poesias e esta mensagem de Ano Novo, até pra explicar certas coisas. Mas já estou bastante cansada e vou deitar.

Mas eu vou voltar, tão logo esteja bem. E vou meter o ‘bedelho’ em tudo que vocês fizerem, valeu? rs.


Tenho feito poesias, e outros textos, graças a Deus! Mas tudo à mão mesmo; nem tenho ficado no computador. Mas preciso digitar pra postar, e aí está a demora; porque acabo ficando cansada.


Hoje deixo esses textos pra vocês, como um carinho de Ano Novo.

Agradeço as visitas, o carinho, a paciência; e peço desculpas por estar afastada de vocês. Não é por falta de atenção; eu realmente não tenho andado bem.


Obrigada por tudo, valeu?


FELIZ ANO NOVO!


Que 2009 venha abençoado, que vocês tenham muita saúde, e consigam realizar pelo menos boa parte de tudo que desejam!

E que eu possa editar meu livro, que está pronto, mas continua à espera da minha melhora.
E vida que segue!


Muitos beijos!
Que Deus abençoe vocês!



Cacau Rodrigues

UMA FAZEDORA DE VERSOS



UMA FAZEDORA DE VERSOS


Na poesia que eu faço
Não há refinamento
De palavras;
Não há compromisso
Com rimas ricas;
Não há pretensão de uma cadeira
Na Academia Brasileira de Letras.
Na poesia que eu faço
Não há sentido intelectual,
Preocupação de nunca ser igual,
Não há cunho literário
Para indicação de prêmios;
Muito menos há temas apurados
Para o paladar dos “chefs”
Formadores das “iguarias sócias”.
Eu não vou fazer política,
Não vou falar pra meia dúzia
De entendedores da famigerada antropologia.
A poesia que eu faço
Tem outro papel na sociologia.
Na poesia que eu faço
Não há tristeza como beleza,
Não falo de amor como grandeza,
Nem uso sarcasmo com nobreza.
O “eu lírico” da poesia que eu faço
É da rua,
Do povo,
Do mundo;
Imundo e saboroso item principal
De cama e mesa.
Na poesia que eu faço,
Os doutores e os ‘Josés ‘,
As dores e os prazeres,
Sobem e descem como as marés.
Eu sou pobre de linguagem talvez;
Não sou perfeita no meu português;
Apenas tento fazer bom uso das palavras,
Pelo menos na sinceridade de usá-las.
Eu me digo poeta
Porque o povo diz que eu sou.
Na verdade,
Sou uma fazedora de versos,
De rimas da vida;
Uma exorcista de complexos.
Não tenho pudores
Ao falar das dores,
Dos amores;
Não fui concebida
Numa escola de atores.
Na poesia que eu faço,
Se bebe no copo das putas,
Se come no prato das senhoras distintas,
Se mostra o quadro da vida
Com todas as tintas.
Porque na natureza, meu bem;
Nem tudo são flores.


Cacau Rodrigues

AOS PÉS DE UMA CIGANA ESPANHOLA



AOS PÉS DE UMA CIGANA ESPANHOLA


Enquanto o Flamenco esquentava a viela,
Meu tesão se ligava na dela,
Que era a mais bela.
A guitarra gritava,
O olhar me chamava
Num sapateado esquisito,
As ancas no ritmo das castanholas;
E eu estava aos pés da cigana espanhola.
Pelas tantas um puta sorriso,
Um sorriso de puta,
E o paraíso.
Vagabunda,
Chamava e sorria,
Virava de costas,
Virava de frente
E se abria;
A vadia queria,
E me chamava com o olhar.
Chupava os dedos,
Tocava os seios,
E dava urros de arrepiar.
De repente um ‘olê’,
De repente rodava
E pedia aos céus não sei quê;
E batia os pés,
E apontava pro solo,
Como num gesto ‘solo’
Pudesse indicar o inferno pra mim!
Ela queria me enlouquecer,
Que fosse assim!
Num gesto súbito
Pegou minha mão;
Me puxou pela rua,
Me fez dobrar a esquina,
Ficou toda nua,
E me atirou ao chão.
E num ‘portunhol’ maltratado sussurrou:
“Sou una puta, vadia,
Perdida en la vida;
Y quiero ser comida por vouce.”
Embriagada, tomada, meio drogada,
Por toda aquela atmosfera cigana,
Sucumbi aos caprichos da dama,
Na rua como cama,
Na porta de um casarão abandonado.
Depois de me render aos braços dela,
Num torpor de desejos satisfeitos,
Fiquei ali, observando,
Desavergonhada,
A bela moça espanhola,
De ancas largas
E olhar penetrante,
Sumir na imensidão do nada.


Cacau Rodrigues





O NOSSO BEIJO


O NOSSO BEIJO


O nosso beijo é lindo,
Mas não é bem-vindo.
O nosso beijo é gostoso,
Às vezes depravado,
Às vezes respeitoso,
Mas não é bem visto;
Não pode ser visto.
O nosso beijo é escondido.
O nosso beijo não deve sair na foto.
E como um traço
De um beijo dado em segredo,
Entre quatro paredes,
Sem medo,
O nosso beijo é o desenho fiel
De um amor verdadeiro
E discriminado.
Mas eu vou casar contigo, meu bem!
E pouco importa
Que não seja de papel passado.
O nosso amor tem futuro,
E não precisa desse presente bobo
Da sociedade.
O nosso amor saliva verdade;
Como num beijo escondido,
Que não aparece na foto,
Pra não envenenar os abutres,
Incompetentes, incapazes,
Mal amados,
Com sua própria maldade.
Lindo, e muitas vezes incompreendido,
O nosso beijo é uma obra de arte.


Cacau Rodrigues

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ENTERNECER



ENTERNECER


Enternecer!
Esse é o momento,
O verbo presente,
A condição,
Que eu espero seja permanente.
A rudeza,
O sarcasmo,
O medo,
A coragem em demasia,
Até mesmo uma certa covardia
Somando-se ao descaso,
À solidão, à vulgaridade,
À falta de emoção,
Foram abatidos pelo enternecer.
Hoje olho no espelho,
Digo a mim mesma
Quase em tom de conselho:
“Vida que segue, valeu?”
O olhar que feria,
Hoje acarinha;
A boca que somente profanava,
Hoje apenas sorri;
A voz enternecida,
Ora alterada,
Agora conversa, sussurra;
Ou grita em tom de liberdade.
Todo por conta desse enternecer.
Quem foi agressivo,
Hoje é apenas firme;
Quem morria aos poucos,
Hoje está mais vivo;
Quem espalhava incertezas,
Hoje sabe muito mais o que quer.
Mas não há transformação sem dor;
E não há renascimento sem amor.
Esse é o segredo:
Enternecer.
Enternecer para fortalecer.
Somente os fortes sabem cair,
Chorar
E levantar,
Sorrir,
E enternecer.



Cacau Rodrigues




A MINHA FÉ

A MINHA FÉ


A minha fé
Professa nas esquinas,
Na noite,
Nos copos,
Na fumaça,
Nas meninas;
Mas o importante é ter fé.
A minha fé
É sem cruz e sem terço,
Mas não me livra um terço
Da cruz que eu carrego,
E eu sei por quê;
Acho até que mereço.
A minha fé
Não protege,
É um pouco herege,
Um pouco até de mentira;
Às vezes satura,
E é do jeito que é;
Mas o importante é ter fé.
A minha fé
Não frequ
enta templos,
Não ajoelha em altares,
Não se confessa aos padres,
Não se compromete
Com horários, dias, lugares,
E não se prende ao exercício da oração.
Mas tem até santo de devoção!
A minha fé
É a cara da contradição.
A minha fé é mal vista;
Compra fiado,
Recebe à vista;
A minha fé é barganha,
Escambo,
Controvérsia;
Uma espécie de contravenção.
Mas o importante é ter fé!
Mesmo a fé que bebe um pouco de vinho,
Fuma o cachimbo da paz,
Cheira a Rosa de Hiroxima,
Deita a qualquer preço;
Não é fé de menos,
E só parece que fede mais!
A minha fé é sagrada,
De porta de boteco,
Beira de estrada;
É de comer a empregada,
Meter os dedos na calçada,
Sentar num colo na escada;
Mas eu rezo e durmo em paz!
Exatamente como aquele babaca,
Que faz igualzinho,
Mas não fala que faz.
O importante é ter fé, meus filhos!
E estamos todos perdoados; nada mais!
Ah, sim!
Amém!


Cacau Rodrigues

terça-feira, 2 de setembro de 2008

MINHA LÁGRIMA LUSITANA



MINHA LÁGRIMA LUSITANA


Que lágrima é esta minha?
Que escorre pelo rosto,
Corre em versos,
Conta reversos,
Molha a cara toda,
Dentro e fora,
Manda embora
O sofrimento exposto.
Solidão e saudade,
Na mente perturbada
De quem ouve um fado,
A escrever dores do passado,
A sentir ausências do presente,
A projetar sucessos do futuro;
Que lágrima é esta minha?
Lembro-me agora de um Portugal
Que jamais conheci pessoalmente;
Talvez pela avó que eu amava,
Talvez pela descendência que lateja,
A aflorar consangüinidade
De outras eras,
Talvez pelo fado que ouço,
Talvez pelo carinho de Maria,
Amada amiga minha,
A Fazer-me recordar o que não vivi.
É como se eu renascesse
Além-mar.
O que há em mim é só um vazio;
Um imenso vazio!
Doloroso como um fado legítimo,
Caloroso como um abraço lusitano,
Perigoso como um ser torturado,
Amargurado como este estado insano
E alcoolizado em que estou.
Linda e amada Dulce Pontes,
A entrar como uma alma sonora
Em meu corpo,
A penetrar minha alma
Já tão preenchida de Brasil,
A misturar-se aos meus sentidos,
A expurgar traumas antigos.
Que cantora, meu Deus!
Que voz límpida mandaste
A este mundo sórdido!
Que bela e delicada mulher!
Dulce, doce mulher!
A poeta chora copiosamente,
Curva-se,
Ama desesperadamente
Sofre,
Ouve incessantemente
Este fado,
Que a remete à poesia;
E mesmo triste
Sente-se feliz.
Que sentimentos estes meus!
Que alegria triste!
Existe,
Como uma ‘estranha forma de vida’,
Vinda de um Portugal
Que eu não esqueço,
E não conheço!
Que sentimentos estes meus!
Que reencontro este meu!
Aqui estou eu,
A escrever,
E escrever,
E escrever,
E a escrever-te, Portugal!


Cacau Rodrigues

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

EU ESCREVO PRA PASSAR A MINHA DOR


EU ESCREVO PRA PASSAR A MINHA DOR


Não importa a hora,
O caminhão do lixo,
Se eu pareço um bicho;
O sexo é bom, meu bem!
Não vou perder o senso.
Eu quase sempre digo o que penso.
A bandida sou eu,
A maldita sou eu,
E todo mundo que encarou
Deu, comeu,
Ganhou, perdeu,
E se fodeu.
Eu nunca lembro
Como aconteceu.
Valeu o bote dos otários,
Valeu o toque dos doutores,
Dos medíocres operários;
Valeu o sexo pobre das viúvas,
Valeu o tesão desenfreado das meninas,
Valeu o orgasmo das mulheres mais maduras,
Valeu a sacanagem com as vadias mais puras;
E até valeu a porcaria da paixão
Das mulheres mal amadas,
As solteiras, as casadas;
Valeu, meu bem!
Valeu!
Eu sou um tipo de canalha,
Que fere e mata sem usar navalha;
Eu faço tipo infeliz,
Mas sou a desgraça que Deus quis.
Aliás, esse teu Deus tá mesmo velho,
Manda uns babacas pregarem o evangelho,
Mas fica lá só esperando
A gente se ferrar!
Eu escrevo pra passar o tempo,
Eu escrevo pra passar conversa,
Eu escrevo pra passar filosofia pobre
E desamor;
Eu escrevo pra passar a minha dor,
Não pra minha dor passar.
A minha dor não passa.
Alguém vai tocar o telefone e me chamar,
Alguém vai pagar michê
Porque desesperadamente quer gozar;
Alguém vai chorar sozinho,
Alguém vai voltar santinho
Pro seu belo ninho.
E ainda tem alguém
Que vai continuar pelas esquinas,
Vestido de macho,
Fazendo escracho,
Virando capacho,
Comendo as meninas;
Porque é preciso pagar o carro,
A vodka,
A droga,
O cigarro;
E não me vem com essa soberba,
Que eu te escarro;
Sou aquela que não liga,
Sou a tal que não se importa com ninguém;
Sou “uma tipinha” muito besta
Que só faz o que convém.
Vou e sigo,
Deito e vivo,
Durmo e acordo
Sem saber dizer com quem.
Não importa a hora,
O caminhão do lixo,
Se eu pareço um bicho;
O sexo é bom, meu bem!


Cacau Rodrigues


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

AS SETE ROSAS



AS SETE ROSAS


No meu sonho ela vem de vermelho;
E solta os cabelos,
Se olha no espelho;
E se vira pra mim
Com uma rosa vermelha entre os dentes.
E ela abusa;
Levanta a saia,
Tira a blusa;
E me deixa muda,
Quando pronta e desnuda
Arranca do vão entre os seios
Mais uma rosa vermelha.
E roda, fica nua;
Se projeta, se insinua;
Se abre, se mostra
Como dá na telha;
Tirando da palma das mãos
Outra rosa vermelha.
Que mulher cheia de manha!
Mulher de mistérios,
Meio cigana;
Tira outra rosa vermelha
De suas entranhas.
E ela ameaça com toques sutis;
Se encosta, se enrosca,
Mexe os quadris;
E de sua boca
Sai outra rosa vermelha
Misturada a palavras febris.
E então faz amor com meus versos,
Perplexos, circunflexos;
Entregando no olhar
A sexta rosa vermelha.
Nesse momento,
Um orgasmo de poesia me faz acordar.
Eu fico sem rumo, fora de prumo;
Não queria parar.
E vejo em meu corpo,
Coisa de louco,
A tatuagem que hoje me faz suspirar:
Aquela mulher fogosa,
Sentada, mãos postas,
Com uma bela rosa vermelha
Pintada no finalzinho das costas.


Cacau Rodrigues

terça-feira, 12 de agosto de 2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ESTE BLOG GANHOU O PRÊMIO DARDOS

PRÊMIO DARDOS
Eu recebi da minha amiga poeta Patrícia Gomes, do Estado de Sítio (http://estadodelitio.wordpress.com/2008/08/09/premio-dardos/),
esta indicação, que me deixou muito feliz e emocionada.
***
Assim eu recebi a notícia: "Um mimo pra ti e muitas saudades, frô de lótus!!!
Xêros!!!" (Patrícia Gomes)
***
Valeu mesmo, Patuskinha!
***
Prêmio Dardos

Ele tem o seguinte significado: ”Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras…”.

E ele tem três condições:

*Aceitar e exibir a distinta imagem
* Linkar o blog do qual recebeu o prêmio
.
* Escolher quinze 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos
***

AGORA AS INDICAÇÕES DO BLOG
UM FURACÃO DE PENSAMENTOS:
***

terça-feira, 22 de julho de 2008

À DERIVA


À DERIVA

Entreguei em tuas mãos a minha alma.
E agora não sei mais qual será o meu destino.
Meu corpo segue oco boiando em águas turvas,
Sem vontade, sem vísceras, sem vida;
À deriva, sem estresse ou desatino.
E hoje sei, que meu coração pobre e quebrado,
É apenas um navegador inútil
Que, sabendo-se sem cais,
Decidiu nunca mais ser ancorado.



Cacau Rodrigues

BARGANHA


BARGANHA

Você bate, você apanha;
Você perde, você ganha;
‘Paga justo’ pra quem barganha.
Assim é a vida de um babaca
Que pensa que tem muita manha.


Cacau Rodrigues

PERDEDOR


PERDEDOR

Vou beber até cair numa esquina;
Vou cheirar toda essa ‘flor’ que me alucina;
E me matar nessa dor que é minha sina;
E te perder nesse perder-dor que me azucrina.

Eu vou chorar nesse amanhã que não virá;
Eu vou morrer nesse brincar de me matar;
Eu vou cair na tristeza desse teu olhar;
E vou sofrer ‘ditosamente’ quando te deixar.

Não tenho medo, e sei que jamais terei;
Não tenho febre, mesmo doente como sei;
Não tenho amor, mesmo te dando o que não dei;
Não vou ficar, porque não tenho quem eu sempre amei.


Cacau Rodrigues

POEMAS TRISTES


POEMAS TRISTES

E esse frio danado,
Esse frio gelado,
Algo jamais imaginado
Aqui no meu Rio de Janeiro.
Em quantas noites chuvosas
Andei, me joguei no que me olhava,
Me entreguei ao calor do que me esperava...
Em quantas noites?
Tantas noites, madrugadas...
Copos, bares, quase nada;
Donzelas , putas
- as solteiras, as casadas...
Uma boa chupada no banheiro feminino,
Uma alegria no meu jeito de menino,
Uma tara no teu corpo em desatino,
O meu pau nesse teu rabo divino!
Eu tenho um, meu bem!
Tenho até mais de um
- pode pedir que você tem!
Eu compro mesmo
É pra meter em alguém!
Mas se quiser meus dedos,
Minha língua, meus segredos,
Arranco todos os teus medos
E te possuo pra você nunca esquecer.
Eu te darei umas horas de loucura,
Te farei subir pelas paredes,
Ouvirei você pedir diversas vezes
Pra eu te bater.
Depois eu me levanto,
Sem cerimônias, sem espanto,
E com um sorriso assim de canto
Eu pego o meu dinheiro
E vou embora.
Não importa aonde vou,
Nem quero saber da hora.
E quem sabe um dia
Eu não lembro do sorriso
De uma menina louca,
Que me deu o paraíso
Cavalgando em minha boca,
Gozando em minha língua,
Lambuzando a minha cara,
E ficando assim à míngua,
Realizando sua tara.
Era o sonho de princesa,
De abdicar de sua nobreza
Pra ser a vadia da plebeia;
Sem testemunhas,
Sem plateia.
Pra quem sabe assim, um dia,
Por amor ou rebeldia,
Depois de deixar essa vida,
Eu não me pegasse escrevendo
Sobre tudo que eu fazia,
Sobre tudo que existe;
Uma coleção de poemas tristes,
Assim, como faço agora.


Cacau Rodrigues

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A LUZ DO CABARÉ




A LUZ DO CABARÉ


O cabaré se iluminava
Toda vez que ela entrava.
E nas mesas, descarada,
Se insinuava.

E eu, o seu malandro macho,
Acendia o meu facho,
Toda vez que ela dançava
E rodava.

Bota um tango argentino, amigo!
Essa dama hoje vai dançar comigo!
Eu quero os refletores só pra nós.
Toma esta rosa, que te trago de presente;
Quero vê-la poderosa entre seus dentes,
Quero esse seu sorriso quente
Misturado ao som da sua voz.

E assim eu a levei pro quarto,
Nesse ambiente que eu me farto;
E despejei nosso desejo nessa cama
Suja e oferecida.

Sem o cetim preto e vermelho,
A silhueta no espelho,
Era o luxo mais vulgar de uma dama
Ardilosa e desmedida.

O cabaré se iluminava
Toda vez que ela dançava.
E nos colos, descarada,
Se sentava.

E eu, o seu malandro macho,
Tinha que baixar seu facho;
Nessa noite eu aceitava
Ou matava.

Bota um tango argentino, amigo!
Essa dama hoje vai dançar comigo!
Eu quero os refletores só pra nós.
Toma esta rosa, que te trago de presente;
Quero vê-la poderosa entre seus dentes,
Quero esse seu sorriso quente
Misturado ao som da sua voz.

Assim eu a levei pra cama.
Sem o cetim preto e vermelho,
A silhueta no espelho,
Era de uma dama fria e sem vida.

E nessa noite eu possuí
A mais linda que já vi,
Como fosse a última noite;
Para ”recuerdos” de uma despedida.




Cacau Rodrigues

MINHA QUERIDA (acróstico)




MINHA QUERIDA (acróstico)


M ulher da minha vida,
I mprescindível como o ar;
N ada há mais que você,
H oje eu sei que nada há.
A mor que veio pra ficar.

Q ue sorriso mais lindo esse seu!
U ma boca que faz sorrir meu sonhar!
E ncanto solar em manhã de apogeu;
R etina que abriga minha luz no olhar.
I ncontestavelmente meu,
D iferentemente seu,
A mor que veio pra ficar.



Cacau Rodrigues






EU TE DEDICO




EU TE DEDICO



Eu te dedico o meu amor,
Eu te dedico.
Eu te dedico a minha flor,
Eu te dedico.
Eu te dedico a minha vida,
Eu te dedico o meu sorriso,
Eu te dedico o meu olhar;
Eu te dedico o meu desejo,
Eu te dedico o meu beijo,
Eu te dedico o meu sonhar.
Eu te dedico tempo e espaço,
Eu te dedico o meu abraço,
Eu te dedico o que há.
E eu me dedico a você,
Como dedico!
E eu te dedico o meu prazer,
Eu te dedico.
Eu te dedico o meu reino,
Minhas armas e nobreza;
E me ofereço serviçal,
Deito na cama, ponho a mesa.
Eu te dedico a minha poesia,
Eu te dedico este dia,
Minha querida, eu te dedico!
Eu te dedico, simplesmente eu te dedico.



Cacau Rodrigues

APENAS ROSAS



APENAS ROSAS


E são apenas rosas,
Que se deitam dengosas,
Que se tocam sem espinhos,
Vermelhas e formosas,
Serenas e nervosas;
São apenas rosas.
Nós somos amadas e amantes,
Pra sempre e no exato instante
Em que projeto em ti meu gozo
E tu gozas.
Sim, ‘somos’ apenas rosas.



Cacau Rodrigues

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O AVESSO QUE TE INVADE



O AVESSO QUE TE INVADE



Eu não me canso de querer saber
O que pensa você,
O que sente você;
Ou como você se sente
Diante de mim.
Você é o sagrado
Que minha luxúria invade;
Eu sou o profano
Que tua santidade aceita;
Eu sou com quem você se deita;
E eu sei que você gosta.
Eu sou o lixo
Que o teu luxo
Lixa
E sabe polir como ninguém.
Eu sou aquele quê,
Que faz a diferença
Na vida de alguém.
Eu sou a magia
Que tira teus pés do chão
E faz você voar;
Sou o homem (e a mulher)
Que faz você gozar;
Eu sou o “muito pouco”
Que o teu “cada vez mais”
Não consegue mais negar.
Eu sou o avesso das tuas virtudes;
Sou o pecado, o vício,
E um emaranhado de vicissitudes;
Eu sou o gosto proibido,
A saliva depravada
Encharcando o teu ouvido;
E não sou o que você queria!
Mas sou tudo que você deseja.
E sou aquilo que você precisa!
E só nós sabemos como você fica
Quando me abraça e beija.
E você que tinha tanto medo
De se entregar...
E eu que tinha tantas dúvidas
De como te tocar...
Fomos nos entregando aos poucos,
E nos permitimos hoje os carinhos mais loucos!
E nos tornamos cúmplices
Nesse tesão secreto.
Nos olhamos na frente dos outros,
Nos falamos,
Sorridentes e amiguinhas;
Conversamos,
E nos cumprimentamos
Tão discretas...
E nos despedimos felizes demais;
Porque sabemos
Que vamos nos ver depois.
Ainda tem que ser assim.
Não posso me queixar,
Porque tenho você;
E isso era o mais difícil de acontecer.
E ainda que eu te deixe
Às vezes sem palavras,
Às vezes às gargalhadas,
Às vezes com lindas lágrimas no olhar,
O melhor de tudo realmente,
É saber que, mesmo diferentes,
O sorriso da mulher que eu amo
Me pertence.
Sou o teu avesso, é verdade;
Mas sou o avesso que te ama
E te invade.


Cacau Rodrigues

POEMINHA REALISTA



POEMINHA REALISTA


Outrora fiz versos...
Diversos...
Agora vivo os versos que fiz.
O amor que eu faço contigo,
Materializa as palavras e me faz feliz.


Cacau Rodrigues

O CÉU



O CÉU


Andei, andei...
Só Deus sabe as pessoas que encontrei,
Os lugares que passei,
Os caminhos que errei.
Passei da curva,
Atravessei a rua, com a visão já meio turva,
Procurando nem sabia o quê.
E numa manhã de beleza rara,
De um sol feliz na minha cara,
Eu conheci você.
Naquele momento,
Parou meu pensamento,
Parece até que vi você por dentro!
Sabia que ‘era’ você.
Não sei se existe paraíso,
Só sei que existe o que preciso;
A força intrínseca no inciso:
O céu que há na beleza e na paz do seu sorriso.
Eu amo você.


Cacau Rodrigues

terça-feira, 29 de abril de 2008

REALIDADE E FICÇÃO



REALIDADE E FICÇÃO


O tempo passou,
E já temos o esboço
De um rosto sem sorriso;
Um olhar duro, impreciso;
Um personagem de história em quadrinhos,
Um desenho feito à mão.
Não é bonito, nem é feio;
Não é herói, não é vilão;
Mas um ser instigante,
Oriundo da realidade,
Que hoje vaga no imaginário coletivo.
Mais uma lenda
Pra enriquecer a ficção.



Cacau Rodrigues

DE CORAÇÃO PRA CORAÇÃO

Hilda Rodrigues


DE CORAÇÃO PRA CORAÇÃO


Pelas vezes em que eu me zanguei,
Pelas vezes em que eu esmurrei as paredes,
Pelos dias em que eu briguei tantas vezes,
Perdoa-me.

Pelas coisas que eu reclamei,
Pelos direitos que eu pensava serem só meus,
Pelos motivos bobos que eu dizia serem os teus,
Perdoa-me.

Pelos êxitos que eu não alcancei,
Pela chatice das crises de existência,
Pela prepotente época da adolescência,
Perdoa-me.

Pelas razões que eu não te dei,
Pelos momentos de total ignorância,
Pelas reivindicações sem nenhuma importância,
Perdoa-me.

Pelas coisas que eu já nem sei,
Pelas vezes que te fiz chorar,
Pelo que não pude ser pra te agradar,
Perdoa-me.

Sei que o coração de mãe é generoso,
Sei que é forte e poderoso,
Parece que nunca vai parar.
Mas o teu coração pregou uma peça,
Hoje operado e firme saiu dessa,
Mas ensinou-me uma lição:
Amor de mãe faz muita falta,
Presença de mãe é imprescindível,
E chatice de mãe é totalmente admissível.

Eu vivi, sofri, chorei
Os momentos de dor que foram teus.
Mas ainda posso dizer que te amo,
Você está aqui,
Graças a Deus.



Cacau Rodrigues
"Meus amigos, eu encontrei aqui, quietinha, esta poesia que foi feita pra minha mãe, que sobreviveu a uma cirurgia de alto risco no coração na época, e hoje está aqui, graças ao Pai.
E sabe como é, eu tinha que dividir isso com vocês!"

Cacau.

quarta-feira, 19 de março de 2008

EU ESPERO



EU ESPERO


Mal fala,
Nem olha,
Maltrata,
Mata,
Molha.
Há desprezo no olhar
Desses olhos
Que fogem dos meus,
Que chegam já dizendo adeus.
Sorriso pensado,
Comportado...
Um pouco forçado.
Palavras gentis,
Simplesmente gentis.
Há gentileza demais,
Frieza demais,
Ausência demais!
Mas não tem nada “de mais”!
Só o que há de menos entre nós.
Misto de cinismo,
medo
E educação;
Jeito burocrático de dizer sim e não!
Olha, sorri,
Vira para o lado,
Finge que não vê...
O que você pensa que é?
O quê?
Às vezes odeio você,
Às vezes morro de rir.
O olhar nega,
O tom de voz entrega,
E você corre para mim
Sem perceber.


Cacau Rodrigues

A POESIA DO VENTO



A POESIA DO VENTO


Vento,
Vento que leva e traz poeira,
Sacolas, folhas,
Bolinhas de papel,
Copinhos de plástico...
Fantástico o vento! Fantástico!

Vento que também faz poesia,
Como esvoaçar os cabelos
De uma bela mulher,
Ondular as águas do mar,
E carregar uma frágil sombrinha
Romanticamente pela calçada.

Vento constrangedor e curioso,
Que levanta as saias pelas ruas;
Vento aterrorizante e perigoso,
Com passagens devastadoras;
Vento que faz o veleiro velejar.

Vento que espalha o fogo,
Vento que refresca o calor.
Vento, interessante o vento...
Leva e traz até pensamentos
E palavras de amor.


Cacau Rodrigues

SONETO DE CONTRADIÇÃO



SONETO DE CONTRADIÇÃO


Que olhos poderosos são os teus;
Que arma tão límpida esse teu olhar!
Que faz o que ninguém pode imaginar!
Atrai, e fere, e mata os olhos meus.


E que força de expressão tem teu adeus;
Que maravilhoso é o gesto de chamar;
É como a fé, invadindo os ateus;
Como um fato, o tato, e o ato de amar.


É o valente samurai tocando a flor,
A luxúria corrompendo imortais;
A paz na luta entre o amor e a dor.


É sagrada brisa fresca nos quintais,
É assim, dia e noite como nunca mais;
Essa tal contradição da dor de amor.


Cacau Rodrigues

terça-feira, 18 de março de 2008

COMO UM FELINO


COMO UM FELINO

Eu sou uma fera.
A dor me desatina,
O instinto me ensina,
A impaciência me domina,
E somente a vida me fascina.
Eu sou uma fera.
E ainda que selvagem,
Nessa vida louca, de passagem,
Eu me deixei domar,
Por um olhar, um sorriso, uma verdade;
Pra que hoje eu pudesse
De fato viver em liberdade.



Cacau Rodrigues

quinta-feira, 13 de março de 2008

A MINHA ALMA




A MINHA ALMA


A minha alma é da vida.
Eu tenho alma de vida,
Alma da noite,
Alma perdida;
Alma divina...
Assim de vez em quando!
Eu tenho alma de malandro.
A minha alma é da calçada
Em frente ao mar,
Alma de amar;
Alma de sorriso maroto,
Traiçoeiro;
Alma de garoto
Do Rio de Janeiro;
Alma que espreita,
Alma que deita,
Alma que esmaga,
Alma que afaga,
Alma que invade,
Alma que arde,
Alma que inunda,
Alma imunda,
De vagabunda.
A minha alma
É alma sem calma;
Mas com calma segue sem alma
E atravessa portões e muros sólidos,
Destruindo lares,
Penetrando lugares,
Distribuindo esperanças,
Poluindo ares.
Alma mista,
De bondade,
Maldade,
Conquista;
Alma de vigarista.
É uma alma que ama,
Alma de cama,
Alma que engana
Por grana;
Alma de lama,
Alma que chama.
A minha alma abre a camisa
E avisa:
“Se cria, me’rmão! Senão te guardo!”
A minha alma
É o cão preto do dia,
Que de noite é como todo gato pardo!
É alma que mora na rua
E vive na gruta;
Alma de filho da puta,
Alma de puta;
Alma de te inquieta,
Alma de poeta;
Alma que baixa o teu facho,
Alma de macho.
A minha alma te quer,
E pode ser como você quiser;
Eu posso ser essa alma de homem
Num corpo de mulher;
Posso ser a mulher que te come,
Feliz com essa alma que é como é.
Na verdade, essa cruz no meu peito
Me dá o direito
De ter essa alma vadia,
Encarar mundos sem moradia,
E agachar nessa coisa arredia
De ser esta mulher.
Eu posso ser isso tudo
Que você abomina e deseja;
Eu posso ser de qualquer piranha que me beija!
Mas só deito no colo
E durmo nos braços
Daquela que me ama
E dá prazer.
A minha alma já tem dona,
E ELA sabe exatamente como me prender.




Cacau Rodrigues









quinta-feira, 6 de março de 2008

DE VOLTA AO CAIS DE LUZ



DE VOLTA AO CAIS DE LUZ



Estou num lugar estranho;
Estou num lugar escuro;
Estou em outra esfera;
Mas a mesma fera ainda mora em mim.

É fácil morrer assim;
Fácil matar-se, morrer-se,
Fartar-se de nada.

Difícil é ser feliz,
Estar de volta ao cais de luz.
Ninguém sabe nada nas sombras.

Mas há um foco aberto,
E está quase aqui, bem perto;
Tímido facho de luz solar.

Não tenho mais medo;
Nem sei o que há.
Apenas conheço a tristeza da vida;
As lembranças não vão me cortar.

Agora não mais sairei pela rua,
Agora não mais chorarei só pra mim.

Revolver é uma questão de tempo;
Diga ao povo que eu decidi ser feliz.




Cacau Rodrigues

BELEZAS AZUIS



BELEZAS AZUIS / mais uma tocaia do destino



Eu estou nesse túnel
De flores e luzes,
De dores e amores,
De bocas vermelhas,
Taças vazias,
Corpos nus;
Uma alucinante viagem
De belezas azuis.
Um bombardeio de sonhos,
Um rodeio de frases próprias - impróprias,
Ou sem sentido algum.
Uma geleira no peito
De um corpo escaldante,
Um olhar sanguinário
Atento às veias de qualquer um.
Agrido-me em gritos;
Agridem-me as dores;
Vejo-me no meio de um vendaval.
Estou acompanhada aqui,
Mas estou acompanhada e só;
Ninguém pode sentir
As minhas dores por mim.
E vomito coisas podres
Que estão guardadas
Nesse corpo sofrido;
E aproveito pra vomitar problemas,
Expulsar rancores,
Casos de amor,
E até teoremas
Que jamais fiz.
Estou no fim de minha própria resistência;
Mas estou no fim de mais essa tocaia do destino.
Entrei em parafuso,
Fiquei em desatino;
Mas compreendi
Que tinha de ser assim mais uma vez.
A gente colhe o que planta.
No final do túnel
Tem alguém que me ama,
Me espera e levanta;
Não vejo a hora de sair daqui.
Esse caminho é só meu;
Seguirei na mais ‘assistida’ solidão.
A luz já aparece;
Eu sei que foi mais uma etapa
Da expiação.
Que brilhe a luz!
Que seja minha essa luz!
Não tenho mais medo!
Foi bom ver revelado o segredo
Nessas belezas azuis!





Cacau Rodrigues

UMA CASA FEITA PRA VOCÊ

UMA CASA FEITA PRA VOCÊ


Nas paredes não há quadros,
Não há pregos;
Só buracos, e uma espécie de ranhuras;
E uma cor já sem vida,
Na espera de uma massa corrida
E uma tinta
Que faça essa casa ressurgir das cinzas.
Só há portas quebradas,
Pisos foscos, machucados;
Vidros sujos, embaçados,
Com algumas rachaduras;
Cômodas às escuras,
Uma casa em pedaços.
O telhado quebrado,
Já não protege dos filetes de luz solar;
E as goteiras
Já parecem cachoeiras;
Que Deus não permita desabar!
Há uma solidão evidente,
Um medo aparente,
Um discurso eloqüente
De descaso.
Mas a reforma está aí,
Os fantasmas vão sair,
E tudo será como já foi um dia.
Eu não tenho medo;
Vou arregaçar as mangas
E ajudar os pedreiros,
Os pintores;
A beleza voltará!
Haverá brilho nos móveis,
Os espelhos ficarão mais nítidos,
Os quartos voltarão a abrigar meus sonhos,
Meus amores,
Meu EU esquecido
Nesse corredor perdido,
Que só me levou ao porão.
A minha alma será novamente
Uma casa iluminada,
A mais perfeita morada
Pro meu coração.
E depois de varridos
Os cantos do meu passado,
E toda a sujeira
Estiver no lixo,
Acenderei as luzes,
Destruirei todas as cruzes
Que eu carreguei.
E aí sim,
Eu vou te mandar entrar, amor.
De vez.
Eu vou te abrigar num palácio de desejos;
Trazer-te em uma bandeja
Todos os meus beijos;
E me colocar na mesa,
Como um banquete dos deuses.
E podes ter certeza,
Que não haverá mais escuridão,
E nem pobreza;
Farei de ti
A mais nobre princesa,
A rainha da beleza;
Aquela que nasceu
Pra morar dentro de mim.





Cacau Rodrigues