segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

CONFESSE


CONFESSE


Aceite,
Não pense.
Obedeça,
Não negue.
Relaxe...
Desmonte...
Não esqueça:
Se entregue.
Não esquente,
Não se estresse.
Mostre-se,
Confesse.
Tente!
Entenda!
E me ensine.
E me aprenda.
Demonstre,
Conserte,
Desconserte...
Sorria,
Afronte,
Enfrente!
E me conte.



Cacau Rodrigues

ELIXIR DO SEU SORRISO



ELIXIR DO SEU SORRISO


Sorria.
Dê luz às minhas manhãs.
Dê vida aos meus instintos.
Faça voar a minha mente sobre os campos de trigo,
As flores dos jardins, os manguezais.
Faça voar sobre lagoas e cascatas,
Mata fechada, mar aberto
E toda a natureza que eu puder viver.
Faça voar a minha mente até você.
Sorria.
Dê mais um bom dia,
Faça o meu coração vibrar.
Faça um encanto em meu olhar,
Faça feliz o meu desejo,
Minha vida por um beijo,
Deixe meu querer tocar você.
Sorria.
Minta se eu não for quem você ama,
Chame o ser aflito que lhe chama.
Sorria,
Me desconcerte, não desconverse,
Que eu vou lhe confessar.
Minha alma doente e solitária,
Cansada dessa vida puramente literária,
Implora o elixir do seu sorriso
Para se curar dos medos
Do amor, dos sonhos, dos segredos,
Da vida que escorre entre os dedos
E de tudo que eu preciso.
Sorria. Basta um sorriso.
Devolva a vida à minha vida,
Mostre que me entendeu.
Vamos, sorria.
Basta um sorriso seu.


Cacau Rodrigues

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

NÓS DUAS


NÓS DUAS


E nós duas nos beijamos...
Nos queremos,
Nos ardemos,
Nos deitamos,
Nos comemos.

Vadias como putas,
Donas de si, absolutas;
Eu sou o teu macho
E te faço minha fêmea;
E sabe o que eu acho?
É por isso que tu gozas...
Somos putas, vadias e nervosas.

Toco teu sexo com meus dedos, 

minha língua...
Te molho de suor e de desejo;
Esfrego minha cara em teus pelos;
Beijo, beijo... cheiro, mordo, beijo...
Te ponho de quatro, te bato...
Te deito em meu prato;
Te penetro, e te penetro, e te penetro...
Com meu brinquedo de amor;
Num misto enlouquecido de prazer e de dor.
Te devoro com fome de cem dias

e cem noites...
E descanso meu sexo de mentira,
Numa verdade que ninguém tira,
Inteiro dentro de ti.

Deixo em ti diversas marcas...
Para que jamais esqueças que eu te possuí.
Posto que um dia quando eu te deixar,
Se eu te fizer chorar,
Tu olhes para o teu corpo, que já devorei,
E lembres que mesmo sendo como sou,
De alguma forma eu te amei.



Cacau Rodrigues

INVASÃO


INVASÃO


Estou aqui, amada única.
Vim fazer-te mais minha,
Vim deixar-te mais viva,
Vim pra ser só tua.
Vim na solidão da noite, pela rua;
Vim mostrar quem manda aqui.

Embriagarei teu corpo com meus desejos,
Enlouquecerei tua boca com meus beijos,
Tocarei teus seios com meus dedos;
E suave como pluma,
Repousarei meu corpo sobre ti.

Não tema, não corra,
Que hoje estou alucinada de tesão.
Tenha calma, sem medo;
Hoje quero ter nas mãos teu coração.

Agora ordeno que te abras!
Mostra-te para mim!
Quero saborear teu sexo,
Ficar impregnada de teu gosto e de teu cheiro,
Roçar minha boca, minha cara toda,
Nesses pelos macios,
Passear de língua dentro desse paraíso molhado.

Ordeno que te abras bem,
Quero penetrar-te inteira,
Entrar inteira;
Desrespeitosamente.
Arreganhar tuas entranhas,
Invadir teu útero,
Passear pelos teus órgãos,
Abusar de ti impiedosamente.

Ficarei completamente dentro de ti.
E alcançando teu coração,
De mãos postas, punhos cerrados e firmes,
Terei enfim o teu amor na minha mão.

Ninguém jamais te amou ou te amará mais do que eu.
Ninguém.



Cacau Rodrigues

sábado, 1 de dezembro de 2007

GUARDE-ME


GUARDE-ME


Guarde-me em ti, ó bem amada...
Guarde-me em ti serena e clara.
Guarde-me que é noite amargurada...
Guarde-me de tudo que eu lembrara.


Faça-me teu sonho, teu novelo,
E deixa que eu te amarre como laços.
E frágil como um fio de cabelo,
Desmaia o teu corpo em meus braços.


Sim, ó bem amada eu te peço,
Que, muito mais que eu, sejas feliz.
Busca em mim o grau do teu excesso,
Afaste-te dos pensamentos vis.


E então quando não mais tiveres força,
Descansa o peito nu em meu cansaço.
Submeta teu amor, ó linda moça...
E adormeça essa mulher em meu abraço.


Cacau Rodrigues

POESIA E GOZO


POESIA E GOZO

Vem!
Não visto nada agora.
Resolvi te esperar nua;
Resolvi te escrever nua;
Deixar meus versos
Percorrerem o meu corpo,
Que te procura,
Te chama,
Te espera.
Quero deixar minhas palavras
Roçarem uma a uma
Pela minha boca, seios, face...
Implorar que desçam
E me peguem assim,
Me fazendo fêmea.
Quero as rimas se embrenhando
Em meus pelos,
Sempre tão bem cuidados
À tua espera;
Eu quero sentir essa poesia
Entrando em mim,
E me rasgando,
Penetrando,
E me molhando
Como jamais permiti.
Estou pensando em ti,
Minha amada!
Lembrando de tua língua...
Não suporto mais esperar!
Vem logo!
Que as estrofes
Estão me enlouquecendo!
São letras que me beijam,
Acentos que me comem,
Vírgulas que me lambem,
Pontos vadios
Que encontram o jeito
Do meu querer...
Estou à beira da loucura,
Pensando em ti,
À beira do prazer.
Meu sexo lambuza os versos;
E os versos,
Diversos,
Penetram, alisam, sugam
O meu sexo
Alterado de tesão.
Vem, querida!
Deixe tudo aí,
Que acabei de ser invadida
Por uma exclamação,
Uma interrogação;
E todos estão abusando de mim.
Salve-me!
Um Q está aqui atrás!
E um N já roça entre minhas pernas,
Como nós,
Quando nos entregamos
Nesse amor de duas.
Já não suporto!
Estou louca nessa cama,
Nua, molhada,
Entre lençóis e travesseiros,
Comida por meus dedos,
E todos os versos que eu mesma fiz.
Enquanto você não chega, meu amor;
Eu preciso abrandar essa loucura,
E esfregar-me toda...
Não tenho mais o controle de mim.
Agora sim,
Que meus dedos saem lambuzados
De poesia e gozo,
Deixo meus lábios nervosos
Provarem do meu gosto,
Em nome do teu gosto.
E com uma certa brandura em meu rosto,
Repousarei entre expressões e métrica.
Vou esperar a porta abrir,
Pra ser teus versos, tuas rimas,
Quem sabe o teu Q;
E te comer enlouquecida,
E ser comida com loucura
Por você.


Cacau Rodrigues

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

FEMININO


FEMININO



É feminino todo sentimento;
Porque o 'sentir' feminino é complexo,
Abrangente e arrebatador.
É feminino fazer poesia;
Porque a poesia
Tem qualquer coisa que dói na alma,
E a alma feminina
Tem qualquer coisa de dor.
É feminino ser amigo;
Porque a amizade
É o tempo todo doação incondicional,
E só a mulher se doa inteiramente,
Sem impor condições,
Em tempo integral.
É feminino o ser humano,
Masculino ou feminino;
Porque da mulher se faz a vida,
Sem distinção de credo, cor ou sexo;
Ainda que esse assunto seja mais complexo.
É feminino assumir o feminino;
Porque não há mais nada feminino
Do que a coragem de sentir,
Se dar,
Saber ouvir,
Saber calar,
Sorrir, chorar,
Saber amar, se entregar;
Ainda que isso pareça frágil.
Mas é somente feminino.


Cacau Rodrigues

O GOSTO DA NOITE


 
Eu gosto da noite.
A noite dos bares,
Dos boêmios,
Das calçadas;
A noite das boates,
Das criaturas alteradas.

A noite tem um gosto de tudo...
O gosto da noite tem tudo.
Feliz saliva da noite
Que lambuza aflita
Os corpos que vagam,
Se deitam, se abrem,
Se vendem, se pagam,
Se mostram, se bastam;
Notívagos demônios,
Tentando...
Tentados...
De pé ou deitados,
Nos muros, sentados,
Despertando pecados,
Satisfazendo desejos,
Provocando medos,
Revelando verdades...
Deixando no ar
Um certo aroma de maldade.

Eu gosto do gosto da noite...
A noite tem tudo que eu gosto.
Tem sons e cores definidos, inconfundíveis;
Coisa de 'achados e perdidos'...
Como a luz vermelha dos antigos cabarés,
A alegria meio triste dos puteiros,
O 'barato' de uma 'queima' que não fica nos cinzeiros,
A elegância bizarra dos bordéis;
O álcool que desliza
Nos copos calejados,
Pelas mãos habilidosas
Dos 'certinhos', dos 'errados'...
Todos muito descarados...
O pó que não se limpa,
Porque se 'limpa' a mente com seus efeitos
Maravilhosamente perigosos,
Nas cenas vividas
Por esses personagens acelerados ou entorpecidos,
Às vezes duvidosos...

Eu gosto de tudo que existe na noite...
Os carros de luxo
Dos bacanas enrrustidos,
Que param buscando o seu eu;
As pessoas solitárias,
Os casais apaixonados,
Os travestis,
As meninas nas esquinas,
(prostitutas, ou por que não dizer as putas),
Os gays, fêmeas e machos,
E os que vivem os dois lados;
Os seres que a sociedade nega durante o dia.
Aí está a noite e sua democracia.

Eu gosto da noite.
A noite dos bares,
Dos boêmios,
Das calçadas;
A noite das boates,
Das criaturas alteradas.
Eu gosto da noite;
Minha vida é madrugada.

E se perguntam se eu sou feliz,
Respondo que felicidade é o momento
E o "para sempre" não é nada.
Eu sou poeta,
E o poeta é livre!
O poeta faz a ilusão de toda gente... Gente!
Como eu, como você.
Eu sou feliz com a minha droga,
O meu cigarro,
As minhas putas,
Os meus carros;
E quem me odeia eu piso e escarro,
No aconchego do escárnio dos meus passos.
Não tenho medo das porradas, dos abraços...
Eu sou poeta da noite.

O que virá, não sei. Virá.
O que será, será.
E se a vida me deixar amar
Aquela que me emociona e cala,
Não duvide desse ser que fala,
Ficarei nos braços dela;
E o "para sempre" será tudo,
E todos os momentos serão de felicidade,
Como essa minha verdade.
A minha poesia me garante o direito de ser quem eu sou.
Exatamente como sou. Poeta.



Cacau Rodrigues

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

FANTASIAS INSANAS


FANTASIAS INSANAS


Num delírio incontido
E perturbador,
Mãos postas nas entranhas
Da mulher que amo;
Vou fundo
Com meus dedos cálidos,
Entrelaçando os corpos úmidos,
Rostos pálidos;
E me lambuzo inteira
Com o gosto do teu prazer.
Todas as paixões
Que tive, e não tive,
Nesse momento mágico
Se misturam em minha mente...
Você ri, chora, e nem sente;
Entramos num túnel
Alucinante.
Drogadas de amor,
Buscamos a paz
Em prazeres mundanos,
Fantasias insanas;
Somos duas mulheres profanas.
Que Deus não nos perdoe!
Eu quero pecar
Pelas ruas,
Pelas casas,
Nas quatro luas;
Eu quero chocar esse mundo
Com nossas silhuetas nuas.
E se o mundo
Quiser nos odiar,
Que assim seja.
Vamos, meu bem!
Vamos abrir uma cerveja!
E nos sugar com chantilly
E cereja;
E nos deitar nas salas do mundo,
Grudadas, gozadas;
Enquanto famílias inteiras
Assistem respeitosamente
A missa de domingo na TV !
Eu posso até matar por você;
Sem você eu até posso morrer...
Então não vou me fazer de rogada;
Eu me arrasto
Nesse chão que você pisa,
Sou teu capacho
Nos lençóis
Que você desliza;
Eu nasci pra te amar.
Não tenho vergonha,
Nem medo,
Nem nada;
Minha melhor loucura
É ser essa criatura
Que segue hoje a tua estrada.




Cacau Rodrigues

UM FURACÃO DE PENSAMENTOS / quase um epitáfio. rs...


UM FURACÃO DE PENSAMENTOS


Eu estive pensando no que fiz;
No quanto fui feliz
E infeliz;
No que vivenciei,
Experiências que nem sei!
Uma rotina de sexo,
Um sexo sem rotina;
O cheiro do prazer,
A pegada de uma puta na esquina,
A trepada de macho com a "menina";
Tudo é válido,
Tudo é amor;
O coração sem sofrer,
O prazer e a dor.
Os copos cheios, vazios
ou pela metade;
As luzes, a fumaça...
Todos os puteiros vão deixar saudade!
Eu também vou deixar uma saudade...
Quando eu morrer,
Quero minhas "viúvas" lindas,
"Celebrando" o luto
pelas ruas, pelas camas;
Quero os boêmios
Tortos pelo chão;
Quero um vigarista,
Um drogado e um batuqueiro,
Cambaleando pelo meu Rio de Janeiro,
Em perfeita comunhão.
E por que não?
Um padre, um ateu e um macumbeiro
Discutindo putaria, poesia,
E até religião.
E das amigas quero um dengo:
Todas num jogo do Flamengo,
Cantando "Oh, meu Mengão"!
E antes da minha cremação,
Toquem um CDzinho da Simone,

Intercalando com 'Io che amo solo te',
Pra dar um toque de emoção.

Aliás, em homenagem à Itália
Do meu amor,
Podem me dar um 'arrivederci',
Que vou achar demais!
E peço que a família
Não desampare os animais;
Eu sempre fiz tudo por eles,
E se pudesse faria bem mais.
Mas quero que lembrem
Que eu fiz tudo do meu jeito;
E causei um certo efeito,
Fui ação e reação.
E fui, como diz uma amiga,
Um "furacão de pensamentos",
A minha própria criação.
O personagem que eu criei
Pra minha vida,
Realmente criou vida,
E saiu da ficção.
Eu me perdi,
Eu me encontrei,
E não deixei barato coisa alguma.
Segui todos os caminhos
Tortuosos, tenebrosos,
Que tracei pra mim.
Mas enfim,
Como eu não vou morrer...
Deixa eu provar,
Deitar, pegar, "comer",
beber, comer,
E provocar;
Tudo isso é bom demais!
Deixa eu me lambuzar um pouco mais!
Elas gostam assim,
ELA precisa de mim;
E eu gosto mesmo
É desse submundo coletivo,
De desejos proibidos;
Esse bando de "fudidos",
Que se julgam imortais.


Cacau Rodrigues

MADRUGADA


A madrugada revela instintos e segredos;
os sonhos afloram,
vencemos os medos.
A madrugada é sempre ponto de partida sem chegada;
a madrugada é simplesmente madrugada.
Sim, todas as mulheres que uso são amadas...
Mas eu só penso nela.




Cacau Rodrigues

POESIA CARIOCA


POESIA CARIOCA


Boa noite, damas e valetes!
Venho aqui me apresentar.
Eu sou a fala fácil, macia, arrastada;
A fala que brinca, "na marra",
Meio deitada...
Eu vivo nas bocas da noite,
No sereno sem capa,
No palavreado dos malandros da Lapa;
Sou a poesia carioca.
Vou de chapéu de palha,
Terno de linho branco...
Levo a vida "na malha",
No fio da navalha...
"Aê, me'rmão!" Vê se não espalha,
Mas eu sou a fina flor do Rio de Janeiro!
Vivo "na moral", mas sem moral,
Que moral demais atrapalha.
"Jogo pesado" na esquina,
Mas falo baixinho no ouvido da mina...
E encanto pra "dedel"!
Mas "desencano" é no motel...
Falo alto, beijo, brigo, brinco, faço um "escacel"!
E me "amarro" numa literatura de "bordel"...
Eu sou a poesia carioca.
Cariocamente livre,
Cariocamente feliz,
Cariocamente linda,
Cariocamente...
Carioca mente?
Mente.
Carioca mente.
Ca-ri-o-ca-men-te...
Mas diz a verdade na lata!
Dá a mão, mas mete a pata!
E faz a festa!
É samba, praia, futebol e cama...
Chama na "xincha" quando ama...
Tira onda na boa,
Tira sarro da 'boa'...
Mete a beca do verão:
Boné, chinelo, camiseta e bermudão...
Carioca faz a própria moda;
Carioca é fffogo!
Mas a maioria é MENGO!
Porque o Flamengo é o carioca,
E o carioca é Flamengo.
Eu rolo na vida desse povo,
Que não tem medo de nada
Porque não adianta;
Que cai, levanta,
E vai pra luta de novo...
Eu saio da mente rica do poeta
E da cabeça cheia do trabalhador...
Não babo em romantismos,
Mas quando quero sei falar de amor.
E dou sempre uma olhadinha
Lá pro Cristo Redentor,
Porque afinal de contas
Eu não sou de aço;
E essa cidade é maravilhosa,
mas é um terror...
Tô na área, nêga!
Se derrubar é pênalti...
E como esse povo é grande batedor,
Não inventa não, que vai ser gol!
Eu sou a poesia carioca.
Você vai me encontrar em cada canto que você passar...
No brilho do sol
Ou na luz do luar...
Todo mundo me conhece;
Um sotaque chiado, malandro, maneiro,
Do gingado brasileiro,
Que à 'garota de Ipanema'
coube imortalizar.
Eu sou "marrenta" mesmo!
Esse é o meu jeito de falar.
E é como eu digo:
Eu sempre venço no final.
Até quando perco, eu venço;
Ninguém derruba o meu astral.
Eu sou mais eu!
Sou a poesia carioca.
Sou uma poeta carioca.
Vai encarar?
Nem tenta, valeu?
Nem tenta.







Cacau Rodrigues