sábado, 1 de dezembro de 2007

GUARDE-ME


GUARDE-ME


Guarde-me em ti, ó bem amada...
Guarde-me em ti serena e clara.
Guarde-me que é noite amargurada...
Guarde-me de tudo que eu lembrara.


Faça-me teu sonho, teu novelo,
E deixa que eu te amarre como laços.
E frágil como um fio de cabelo,
Desmaia o teu corpo em meus braços.


Sim, ó bem amada eu te peço,
Que, muito mais que eu, sejas feliz.
Busca em mim o grau do teu excesso,
Afaste-te dos pensamentos vis.


E então quando não mais tiveres força,
Descansa o peito nu em meu cansaço.
Submeta teu amor, ó linda moça...
E adormeça essa mulher em meu abraço.


Cacau Rodrigues

POESIA E GOZO


POESIA E GOZO

Vem!
Não visto nada agora.
Resolvi te esperar nua;
Resolvi te escrever nua;
Deixar meus versos
Percorrerem o meu corpo,
Que te procura,
Te chama,
Te espera.
Quero deixar minhas palavras
Roçarem uma a uma
Pela minha boca, seios, face...
Implorar que desçam
E me peguem assim,
Me fazendo fêmea.
Quero as rimas se embrenhando
Em meus pelos,
Sempre tão bem cuidados
À tua espera;
Eu quero sentir essa poesia
Entrando em mim,
E me rasgando,
Penetrando,
E me molhando
Como jamais permiti.
Estou pensando em ti,
Minha amada!
Lembrando de tua língua...
Não suporto mais esperar!
Vem logo!
Que as estrofes
Estão me enlouquecendo!
São letras que me beijam,
Acentos que me comem,
Vírgulas que me lambem,
Pontos vadios
Que encontram o jeito
Do meu querer...
Estou à beira da loucura,
Pensando em ti,
À beira do prazer.
Meu sexo lambuza os versos;
E os versos,
Diversos,
Penetram, alisam, sugam
O meu sexo
Alterado de tesão.
Vem, querida!
Deixe tudo aí,
Que acabei de ser invadida
Por uma exclamação,
Uma interrogação;
E todos estão abusando de mim.
Salve-me!
Um Q está aqui atrás!
E um N já roça entre minhas pernas,
Como nós,
Quando nos entregamos
Nesse amor de duas.
Já não suporto!
Estou louca nessa cama,
Nua, molhada,
Entre lençóis e travesseiros,
Comida por meus dedos,
E todos os versos que eu mesma fiz.
Enquanto você não chega, meu amor;
Eu preciso abrandar essa loucura,
E esfregar-me toda...
Não tenho mais o controle de mim.
Agora sim,
Que meus dedos saem lambuzados
De poesia e gozo,
Deixo meus lábios nervosos
Provarem do meu gosto,
Em nome do teu gosto.
E com uma certa brandura em meu rosto,
Repousarei entre expressões e métrica.
Vou esperar a porta abrir,
Pra ser teus versos, tuas rimas,
Quem sabe o teu Q;
E te comer enlouquecida,
E ser comida com loucura
Por você.


Cacau Rodrigues