quarta-feira, 19 de março de 2008

EU ESPERO



EU ESPERO


Mal fala,
Nem olha,
Maltrata,
Mata,
Molha.
Há desprezo no olhar
Desses olhos
Que fogem dos meus,
Que chegam já dizendo adeus.
Sorriso pensado,
Comportado...
Um pouco forçado.
Palavras gentis,
Simplesmente gentis.
Há gentileza demais,
Frieza demais,
Ausência demais!
Mas não tem nada “de mais”!
Só o que há de menos entre nós.
Misto de cinismo,
medo
E educação;
Jeito burocrático de dizer sim e não!
Olha, sorri,
Vira para o lado,
Finge que não vê...
O que você pensa que é?
O quê?
Às vezes odeio você,
Às vezes morro de rir.
O olhar nega,
O tom de voz entrega,
E você corre para mim
Sem perceber.


Cacau Rodrigues

A POESIA DO VENTO



A POESIA DO VENTO


Vento,
Vento que leva e traz poeira,
Sacolas, folhas,
Bolinhas de papel,
Copinhos de plástico...
Fantástico o vento! Fantástico!

Vento que também faz poesia,
Como esvoaçar os cabelos
De uma bela mulher,
Ondular as águas do mar,
E carregar uma frágil sombrinha
Romanticamente pela calçada.

Vento constrangedor e curioso,
Que levanta as saias pelas ruas;
Vento aterrorizante e perigoso,
Com passagens devastadoras;
Vento que faz o veleiro velejar.

Vento que espalha o fogo,
Vento que refresca o calor.
Vento, interessante o vento...
Leva e traz até pensamentos
E palavras de amor.


Cacau Rodrigues

SONETO DE CONTRADIÇÃO



SONETO DE CONTRADIÇÃO


Que olhos poderosos são os teus;
Que arma tão límpida esse teu olhar!
Que faz o que ninguém pode imaginar!
Atrai, e fere, e mata os olhos meus.


E que força de expressão tem teu adeus;
Que maravilhoso é o gesto de chamar;
É como a fé, invadindo os ateus;
Como um fato, o tato, e o ato de amar.


É o valente samurai tocando a flor,
A luxúria corrompendo imortais;
A paz na luta entre o amor e a dor.


É sagrada brisa fresca nos quintais,
É assim, dia e noite como nunca mais;
Essa tal contradição da dor de amor.


Cacau Rodrigues