
Uma dor na alma,
Uma angústia que chora,
Uma solidão que apavora,
Um sentimento qualquer de pura aflição.
E dá uma falta de ar,
Uma tontura panorâmica;
E como um elemento da semântica
A visão turva,
Na simetria de uma visão.
E o fantasma cresce,
E se aproxima com voracidade.
Nessa hora um desmaio indigno
Escurece toda a verdade.
É pertinente dizer
Que um enjôo, uma dor de cabeça,
Fazem a fragilidade ficar ainda mais evidente.
O corpo pesa,
O coração aperta,
E um sono terrível se faz companheiro permanente.
Há algo errado, se sabe, não há dúvida.
Mas o que faz um guerreiro tombar
Se não a violência do impacto da flecha?!
A gente acostuma com a dor.
Mas o momento do impacto,
E a eternidade do tempo entre um ferimento quente
E a frieza do depois...
Aí sim, o guerreiro precisa parar e respirar fundo.
E se é preciso seguir diante do mundo,
Levanta-se,
Amarre-se uma tala;
Não cura, mas o ferimento cala;
E se recomeça a marcha,
Até um pouco solitária,
Em busca de uma vitória pessoal.
Os guerreiros são impiedosos
Com eles mesmos;
Os guerreiros morrem de dor
Entre eles mesmos;
Os guerreiros fogem do amor
Por eles mesmos.
O amor fragiliza,
Hipnotiza,
Desmoraliza.
É melhor uma flecha cravada no peito
Que uma flor ao alcance da mão.
É melhor sangrar de maldade
Que chorar de saudade,
Sem poder conter a hemorragia de amor
No coração.
Cacau Rodrigues