sexta-feira, 5 de junho de 2009

HORA DA CAÇADA



HORA DA CAÇADA


Seu sexo molhado
Denunciava a hora da caçada.
E ela se masturbava
Pensando em tudo que a esperava.
Vagabunda,
De banho tomado parecia imunda;
Tinha um olhar perdido,
Meio fodido,
Quase drogado;
De frente, de costas, de lado
Tocava deliciosamente
Suas partes íntimas.
Se fodia com os dedos,
Metia, tirava, chupava,
Provava de si vorazmente;
Só tinha sexo naquela mente.
Um prazer incontido
De ter prazer com todo mundo.
Imaginava homens e mulheres
Devorando cada parte de seu corpo vulgar;
Porque era assim que ela sabia se entregar.
Mulher chupa grelo muito melhor...
Mete os dedos na outra com propriedade.
Homem só invadindo por trás...
Era a penetração que ela gostava mais.
Mas sentia uma sensação única
Num roça-roça de grelos;
Tinha orgasmos alucinantes
Com outra mulher entre as pernas.
E gritava, urrava,
Queria bater,
Adorava apanhar.
Depois de imaginar uma chupada
Na sua machinha favorita,
Não se fez de rogada,
Pra vida ficar mais bonita;
E aflita, totalmente aflita
Pegou na gaveta um borrachudo,
Penetrou bem fundo,
Desejando muito sentar num pau
Naquela hora feliz.
Sim, ser a puta de dois machos diferentes
Era o que ela mais amava;
Tudo que sempre quis,
Tudo que sempre fez.
A fêmea era ela;
A rameira era ela;
A qualquer de qualquer um.
Bem-vinda, madrugada!
Madrugada dos perdidos,
Das putas,
Dos malvados,
Dos ‘fudidos’;
Hora da mulher distinta
Botar o vestido curto,
Vermelho cintilante,
Por baixo toda peladinha,
E sair prontinha
Pra oferecer
Aquele corpo fácil
Por ruas escuras,
Becos sujos,
Vielas malditas;
E levar porrada,
Ser quase estuprada,
Dar muita chupada,
Ficar encharcada,
Gozar na calçada,
Desclassificada,
Faturar a bancada;
E toda marcada,
Feliz e saciada,
Antes de amanhecer
Voltar pra casa.
Porque mulher direita dorme em casa!


Cacau Rodrigues













COM A LÍNGUA DO DESEJO



COM A LÍNGUA DO DESEJO


Era um sonho real.
Eu via você deitada
Em uma cama macia,
Lençóis de cetim,
Almofadas do Oriente,
E uma nudez quase angelical.

Cheguei como um Sultão vagabundo
Lambendo suas pernas,
Molhando entre as pernas,
Dando um nada pro mundo,
Arrepiando você bem no fundo.
E uma nudez já nada angelical.

Você deu um gemido,
Um breve sorriso,
Segurando a minha cabeça;
E sem nenhuma conversa
Dizia que estava bom;
Dando outros gemidos
Bem fora do tom.

Me empenhei tanto tanto
Nessa tarefa incessante,
Que num dado instante,
Você nada hesitante,
Mexendo os quadris
De forma alucinante,
Deu um gemido excitante,
Gritos deselegantes,
Fazendo escorrer de você
Esse líquido odara;
Encharcando de prazer
A minha língua,
A minha boca,
A minha cara.
Acordei cansada e feliz
Pelo que sonhara.


Cacau Rodrigues

quinta-feira, 4 de junho de 2009

QUASE UM MOMENTO DE ORAÇÃO


QUASE UM MOMENTO DE ORAÇÃO


E na mente da poeta nada.
Não encontro o tom,
A palavra certa,
A certeza do tema,
Qualquer coisa que o valha
Simplesmente pra fazer poema.
A vontade salta,
Se mostra,
Mas a palavra falta,
Se prostra.
Eu só consigo pensar.
E só consigo pensar
Naquela que eu amo,
Sem um movimento sequer
De uma escrita objetiva.
E pensar naquela que eu amo
É quase um momento de oração.
Eu me entrego, me calo, me cego,
E em silêncio me pego;
E me vejo sorrindo,
Me acabo chorando,
Não nego.
É um momento sagrado pra mim.
Nada posso fazer,
Não consigo falar,
E não quero mover uma palha
Que faça mudar esse estado
De adoração.
Por isso não escrevo.
A vontade clama por versos,
Mas o amor inflama pensamentos diversos,
E eu sigo inerte,
Com uma aparência letárgica,
Embora em chamas por dentro.
Vai e volta,
Arde o mais bobo pensamento.
Fico assim porque amo,
Vivo assim porque amo,
Paro assim em nome da mulher que amo.
Mas quando acordo,
Quando volto desse transe de amor,
Eu escrevo mais.
Tudo vale,
Posso tudo,
Faço certo,
Porque vejo perto
O sorriso lindo da mulher que eu amo.


Cacau Rodrigues

OS MEUS ESCRITOS



OS MEUS ESCRITOS


Os meus escritos
Esbarram nas besteiras que eu falo,
Na seriedade que eu calo,
Nos meus momentos, quase todos tensos;
Nas porcarias que eu penso,
Na poesia que eu sonho,
Na filosofia que eu proponho,
No cigarro que eu fumo,
Na droga que eu não quero,
Na bebida que eu disponho,
No time do meu coração,
Na minha mais pura emoção,
Na minha mais pura frieza,
Na minha visão de beleza,
No meu viver de pecado,
No meu achar que é sagrado,
No amor que eu necessito,
Nos momentos que eu me excito,
No sexo que eu gosto,
Nos números que eu aposto,
Na verdade e na mentira
Que brigam dentro de mim.
Sim, os meus escritos
Só são meus escritos
Porque são assim.
Porque sou assim.


Cacau Rodrigues