
ESSE É MEU COMPADRE
Aê, dá meu chapéu, meu cumpade!
Dá mole não, meu cumpade!
Mostra aê, meu cumpade!
Chega cambaliando,
Faz que foge e volta, e manda;
É na banda que tira a demanda!
Azeitando na hora alta da madruga,
É meu cumpade quem me ajuda!
Dá cá o chapéu, malandro!
Tô indo sem bando,
Vou de vermelho e branco, malandro!
Na galhofada eu mando!
Comandando a ralé,
encantando a nobreza;
E quem pensa que sabe qual é,
vira presa;
fácil presa,
Seja homem ou mulher.
E jogo mesmo!
Vou trocando as pernas,
Bandeando de cigarro e cerveja na mão!
Vou na mistura de chão:
Calçada, esquina, puta e cafetão!
É o cão da noite, cumpade!
É poesia, cumpade!
É língua macia, cumpade!
Vou descer a ladeira,
Girando, cantando,
Fazendo zoeira,
Pensando besteira,
Topando com o bode!
Quem encara se fode!
Vou dando rasteira
Em quem acha que pode!
A vida é assim:
Quem quer sair nem entra mais;
Quem quer entrar não pede, invade.
Eu nem ligo!
Sou protegida da lei do cumpade.
Cacau Rodrigues