
O AVESSO QUE TE INVADE
Eu não me canso de querer saber
O que pensa você,
O que sente você;
Ou como você se sente
Diante de mim.
Você é o sagrado
Que minha luxúria invade;
Eu sou o profano
Que tua santidade aceita;
Eu sou com quem você se deita;
E eu sei que você gosta.
Eu sou o lixo
Que o teu luxo
Lixa
E sabe polir como ninguém.
Eu sou aquele quê,
Que faz a diferença
Na vida de alguém.
Eu sou a magia
Que tira teus pés do chão
E faz você voar;
Sou o homem (e a mulher)
Que faz você gozar;
Eu sou o “muito pouco”
Que o teu “cada vez mais”
Não consegue mais negar.
Eu sou o avesso das tuas virtudes;
Sou o pecado, o vício,
E um emaranhado de vicissitudes;
Eu sou o gosto proibido,
A saliva depravada
Encharcando o teu ouvido;
E não sou o que você queria!
Mas sou tudo que você deseja.
E sou aquilo que você precisa!
E só nós sabemos como você fica
Quando me abraça e beija.
E você que tinha tanto medo
De se entregar...
E eu que tinha tantas dúvidas
De como te tocar...
Fomos nos entregando aos poucos,
E nos permitimos hoje os carinhos mais loucos!
E nos tornamos cúmplices
Nesse tesão secreto.
Nos olhamos na frente dos outros,
Nos falamos,
Sorridentes e amiguinhas;
Conversamos,
E nos cumprimentamos
Tão discretas...
E nos despedimos felizes demais;
Porque sabemos
Que vamos nos ver depois.
Ainda tem que ser assim.
Não posso me queixar,
Porque tenho você;
E isso era o mais difícil de acontecer.
E ainda que eu te deixe
Às vezes sem palavras,
Às vezes às gargalhadas,
Às vezes com lindas lágrimas no olhar,
O melhor de tudo realmente,
É saber que, mesmo diferentes,
O sorriso da mulher que eu amo
Me pertence.
Sou o teu avesso, é verdade;
Mas sou o avesso que te ama
E te invade.
Cacau Rodrigues